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    Saúde

    Anvisa restringe emagrecedores manipulados e do Paraguai em meio a pressão política

    adminDe admin20 de abril de 2026Nenhum comentário5 minutos lidos
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    (FOLHAPRESS) – A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tenta construir barreiras ao uso de canetas emagrecedoras irregulares em meio a pressões do mundo político, à explosão do consumo e ao apelo nas redes sociais para o uso com fins estéticos.

    Em medidas anunciadas nos últimos dias, a agência mirou produtos trazidos do Paraguai ou feitos fora dos padrões sanitários nas farmácias de manipulação.

    Trata-se de mercado paralelo ao dos medicamentos registrados pela Anvisa e conhecidos por marcas como Ozempic (semaglutida) e Mounjaro (tirzepatida).

    As canetas sem registro são mais baratas, mas a Anvisa afirma que tem identificado diversos casos de falsificação e de produtos com baixa qualidade.

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    “Quando a população fica suscetível a produto sem registro da Anvisa, ela não tem aquela garantia da tríade básica que é o sustentáculo da agência: o produto é seguro, ou seja, dirime questões de riscos e efeitos adversos, tem qualidade, feito com boas práticas de fabricação e manipulação, e é eficaz, funciona para aquilo que está sendo anunciado”, afirma o presidente da Anvisa, Leandro Safatle.

    No último dia 6, a Anvisa anunciou que fará cobranças mais rígidas sobre a qualidade do ingrediente farmacêutico importado para farmácias de manipulação.

    A proposta deve ser votada no fim de abril e obriga que farmácias usem ingredientes de laboratórios que têm o CBPF (Certificado de Boas Práticas de Fabricação) da Anvisa, ou seja, que receberam algum tipo de inspeção do órgão brasileiro ou de agências parceiras.

    A agência ainda pretende reforçar a exigência de que a manipulação só pode ser feita após a apresentação da prescrição de cada paciente. Isso porque fiscalizações da Anvisa já localizaram produção em larga escala para venda em clínicas.

    A Polícia Federal investiga irregularidades em farmácias de manipulação. Os agentes apreenderam carros, avião, embalagens e remédios em operação realizada em novembro de 2025. Ainda cumpriram mandados em 12 estados no começo de abril.

    Depois da ação da PF, cinco entidades médicas pediram a proibição imediata e total da venda das canetas por farmácias de manipulação devido ao risco sanitário. A Anvisa, porém, afirma que a legislação sanitária permite a produção dos medicamentos em farmácias de manipulação. Diz ainda que está aperfeiçoando regras para garantir a segurança dos produtos.

    Veto aos emagrecedores do Paraguai

    Em outra frente, a Anvisa vetou no dia 14 o uso e venda de duas marcas do Paraguai, chamadas Gluconex e Tirzedral. Os modelos eram os únicos registrados no país vizinho que ainda não haviam sido barrados pela agência, ou seja, não é mais permitido importar os emagrecedores nem mesmo para uso pessoal.

    A venda dos produtos no Paraguai é impulsionada por influenciadores e ações de marketing. Empresas locais ainda fazem lançamentos luxuosos dos seus produtos. O laboratório paraguaio Catedral apresentou o Tirzedral no fim de março, em evento com show do cantor Zé Felipe e voltado ao público brasileiro –o nome foi “Noite Vermelha”.

    As canetas são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano e que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. Os medicamentos são indicados para obesidade e diabetes. O uso desenfreado das versões sem registro ou para fins estéticos preocupa entidades médicas.

    Mercado irregular

    O volume de canetas irregulares em circulação é incerto, mas dados oficiais sinalizam alta no consumo. A Receita Federal diz que apreendeu 32,8 mil unidades de emagrecedores em 2025 ante 2.700 no ano anterior.

    O órgão ainda afirma que localizou apenas em Viracopos (SP), desde janeiro, cerca de 1 tonelada de ingredientes irregulares. Os fiscais apreenderam frascos rotulados como retratutida, droga que ainda está em estudo pela Lilly, mesma fabricante do Mounjaro.

    Nos últimos seis meses ainda foram importados 130 kg de tirzepatida, suficientes para produção de 25 milhões de doses em farmácias de manipulação, segundo a Anvisa.

    Pressão política

    Os movimentos da agência são vistos no governo como necessários, mas delicados por causa das reações negativas dos consumidores. Ainda há temor de judicialização ou de que o tema entre na pauta do Congresso.

    O uso das canetas no SUS é cobrado por gestores locais. No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PSD) lançou um programa com o Ozempic, em parceria com a fabricante Novo Nordisk.

    Já a Prefeitura de Urupês (SP) afirma que usará medicamentos de farmácias de manipulação e abriu uma licitação por produto contendo tirzepatida, sob protestos da fabricante Lilly. A compra fracassou e o governo municipal tentará credenciar farmácias como fornecedoras.

    Outro exemplo da sensibilidade do tema está nos comentários de uma publicação feita na quarta-feira (15) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), sobre risco das canetas falsificadas.

    Além de críticas sobre restringir o acesso a produtos sem registro feitas por diversas pessoas, o deputado Mario Heringer (PDT-MG) afirmou na publicação que a “solução” é ter “coragem” para quebrar a patente do Mounjaro, medida que é defendida pelo parlamentar em um projeto de lei. Ele é favorável a importação dos produtos do Paraguai.

    No ano passado, a disputa pelo mercado dos emagrecedores ganhou novo rumo com atuação direta do governo Lula (PT), que pediu para a Anvisa passar as canetas à frente na lista de análise de novos produtos. Auxiliares de Padilha avaliam que a pressão pelo acesso às drogas do Paraguai ou manipulados se reduzirá com o registro de novas marcas no Brasil. A Anvisa avalia 16 produtos contendo semaglutida, mesmo princípio ativo do Ozempic e que perdeu a patente no fim de março.

    Anvisa amplia uso de vacina contra bronquiolite para maiores de 18 anos Imunizante Arexvy, da GSK, antes restrita a idosos, agora pode ser aplicada em adultos com maior risco. Decisão não significa oferta imediata no SUS; incorporação no sistema público depende de avaliação do Ministério da Saúde

    Folhapress | 05:05 – 16/04/2026

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