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    Exposição no Museu do Ipiranga lembra história do bairro da Liberdade

    Camila Boehm - Reporter da Agencia BrasilDe Camila Boehm - Reporter da Agencia Brasil9 de julho de 2026Nenhum comentário4 minutos lidos
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    Exposição no Museu do Ipiranga lembra história do bairro da Liberdade
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    O Museu do Ipiranga abriu ao público, nesta semana, a exposição inédita “Liberdade: bairro plural”, que revisita a história da região a partir das sucessivas ocupações de grupos étnicos. Frequentemente associado à imigração japonesa, o bairro tem uma trajetória muito mais ampla e complexa. Com entrada gratuita, a mostra fica em cartaz até 31 de janeiro de 2027.

    Região emblemática da cidade de São Paulo, o bairro da Liberdade teve em sua formação indígenas, portugueses, africanos e afro-brasileiros escravizados ou livres, japoneses, italianos, alemães, russos, estadunidenses, chineses, taiwaneses, libaneses, haitianos, guineenses, bolivianos e outros.

    “Ao reunir objetos, fotografias, documentos, vestimentas, instrumentos musicais, mobiliário, projetos arquitetônicos e obras de arte provenientes de instituições sediadas ou historicamente ligadas ao bairro, a exposição revela como diferentes comunidades contribuíram para moldar a paisagem cultural da Liberdade”, divulgou o museu. 

    Com curadoria dos historiadores Paulo Garcez Marins, Mônica Raisa Schpun, Aline Montenegro Magalhães, Francisco Andrade e David Ribeiro, a exposição é organizada em três módulos e apresenta a Liberdade como um território em permanente transformação.

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    De acordo com os curadores, por mais de dois séculos, a região foi ocupada e transformada por diferentes grupos, tornando-se um território marcado por encontros, trocas culturais, permanências, deslocamentos e disputas de memória.

    Próximo à Praça da Sé, o bairro começou a ser formado em um território que pertencia aos tupis que habitavam o planalto paulistano. A partir do século 18, as primeiras ruas surgiram em torno de antigos caminhos indígenas, como aquele em que hoje está a Avenida Liberdade.

    Brancos de origem portuguesa, africanos e afro-brasileiros escravizados ou livres começaram a se instalar no local. No século 19, os curadores apontam que a presença da forca, do pelourinho, do Hospital da Santa Casa, do Cemitério dos Aflitos e da Casa de Pólvora fez com que a região fosse associada à morte, à punição e ao medo, desvalorizando os terrenos e tornando-os mais acessíveis para populações de menor renda e para novos moradores que chegavam na cidade.

    A partir das últimas décadas do século 19, o bairro passou a atrair sucessivas ondas de imigrantes, como italianos, portugueses, alemães, japoneses, chineses, taiwaneses, russos, libaneses e norte-americanos. No local, eles estabeleceram residências, templos religiosos, associações culturais, escolas, jornais e espaços de sociabilidade.

    A curadoria ressalta que, mais recentemente, a região passou a acolher também imigrantes e refugiados vindos da África, da América Latina e do Caribe, o que promove continuamente a diversidade no bairro. 

    Apagamentos  A curadoria evidencia que a pluralidade da Liberdade não resulta apenas da coexistência de diferentes grupos, mas das relações construídas entre eles. Ao longo do tempo, o bairro se consolidou como um espaço de convivência, negociação e intercâmbio cultural, onde distintas tradições religiosas, linguísticas e associativas passaram a compartilhar o mesmo território. 

    Além de destacar as presenças de grupos diversos, a exposição aborda processos de apagamento e disputa de memória. O percurso apresenta episódios como a atuação e extinção compulsória da Frente Negra Brasileira na década de 1930, a destruição do Cemitério dos Aflitos e a importância de sua Capela para as memórias negras, a demolição da Igreja dos Remédios ligada ao abolicionismo.

    Além disso, houve perseguição e expulsão de famílias japonesas durante a Segunda Guerra Mundial e o confisco da sede da Sociedade Filarmônica Lyra em 1945, ligada à comunidade alemã.

    Outro tema central é a construção da imagem atual da Liberdade como bairro associado especificamente aos japoneses.

    “A partir da década de 1970, por iniciativa da prefeitura, foram feitas intervenções urbanas inspiradas nas tradições japonesas, que transformaram a paisagem local e consolidaram uma identidade visual que se tornou símbolo turístico da cidade”, menciona a curadoria.

    Uma das propostas da mostra é justamente promover a reflexão sobre esse processo e como ele contribuiu para ampliar a visibilidade da presença nipo-brasileira, ao mesmo tempo em que favoreceu o apagamento das demais presenças étnicas.

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