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    Brasil

    Entenda por que mulheres convivem mais com dor crônica e doenças autoimunes

    Redacao Gazeta do CerradoDe Redacao Gazeta do Cerrado22 de março de 2026Nenhum comentário3 minutos lidos
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    Entenda por que mulheres convivem mais com dor crônica e doenças autoimunes
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    Diversos estudos indicam que as mulheres convivem com maior frequência com dores crônicas e doenças autoimunes em comparação aos homens. Entre as condições mais comuns estão o lúpus, a artrite reumatoide, a fibromialgia e a síndrome de Sjögren, todas com predominância no público feminino.

    De acordo com especialistas, essa diferença resulta de uma combinação de fatores biológicos, hormonais e sociais. Um dos pontos centrais está no funcionamento do sistema imunológico feminino, que tende a ser mais ativo.

    Segundo o reumatologista Henrique Dalmolin, do Hospital Samaritano de Higienópolis, em São Paulo, essa característica traz benefícios, como uma resposta mais eficiente a infecções e vacinas. Por outro lado, aumenta o risco de o organismo atacar seus próprios tecidos, favorecendo o surgimento de doenças autoimunes.

    Nesses casos, o sistema imunológico passa a identificar estruturas do próprio corpo como ameaças. Além disso, a forma como o cérebro processa a dor também pode variar entre homens e mulheres.

    Em geral, mulheres apresentam maior sensibilização central, o que faz com que estímulos dolorosos sejam percebidos com mais intensidade.

    Hormônios influenciam

    Os hormônios têm papel importante nesse processo. O endocrinologista Ricardo Barroso, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), explica que o estrogênio estimula uma resposta imunológica mais intensa, o que pode contribuir para o desenvolvimento de doenças autoimunes.

    Já a testosterona parece exercer efeito protetor, reduzindo esse risco.

    As variações hormonais ao longo da vida também interferem na percepção da dor. Alterações nos níveis de estrogênio impactam substâncias cerebrais relacionadas à dor e à inflamação.

    Na menopausa, por exemplo, a queda do estradiol pode intensificar quadros como fibromialgia e enxaqueca, além de favorecer mudanças corporais que influenciam processos inflamatórios.

    Genética, ambiente e histórico

    A predisposição genética também está envolvida. Segundo a reumatologista Sandra Maria Andrade, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, algumas pessoas já nascem com maior risco de desenvolver essas doenças, que pode ser ativado por fatores externos.

    Entre esses fatores estão o estilo de vida, o ambiente e aspectos emocionais. O estresse crônico, por exemplo, pode desregular o sistema imunológico e aumentar a inflamação no organismo.

    Outro aspecto relevante é o histórico de subvalorização dos sintomas femininos na medicina. Por muitos anos, queixas de dor relatadas por mulheres foram atribuídas a causas emocionais, o que contribuiu para diagnósticos tardios em doenças como fibromialgia, endometriose e lúpus.

    Desafio no diagnóstico

    Para especialistas, melhorar o diagnóstico passa por mudanças na forma como os sintomas são avaliados. Ouvir atentamente as pacientes e considerar suas queixas com seriedade é fundamental.

    Além disso, é necessário ampliar a formação dos profissionais de saúde para reconhecer que diversas doenças podem se manifestar de maneira diferente em homens e mulheres.

    Fonte: Metrópoles

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