
A candidata ao Governo do Tocantins, senadora Professora Dorinha, começa a enfrentar um questionamento político a partir de declarações que podem gerar dúvidas sobre qual será, de fato, sua relação com o governo do governador Wanderlei Barbosa, que apoia sua candidatura. De um lado, Dorinha afirma que pretende dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Wanderlei Barbosa. De outro, quando questionada sobre a situação da saúde pública, afirma que “não está representando o governo” e declara que, em sua eventual gestão, a saúde será tratada de forma “séria e comprometida”. A declaração ocorreu após questionamento sobre o episódio envolvendo uma mulher que se amarrou em frente ao Hospital Geral de Palmas (HGP). Na resposta, Dorinha também afirmou: “A caneta é minha, minha responsabilidade.” As declarações colocam em evidência uma questão que pode ganhar força durante a campanha: se a candidata pretende dar continuidade ao governo Wanderlei, por que faz questão de se distanciar da atual gestão quando é questionada sobre a saúde? Dois discursos para o mesmo eleitor? A diferença entre as falas chama atenção. Quando fala dos avanços e das ações do governo, Dorinha se apresenta como candidata da continuidade e conta com o apoio político de Wanderlei Barbosa. Porém, diante dos problemas da saúde, a candidata afirma que não representa o governo e diz que, em sua gestão, a área será tratada de maneira “séria e comprometida”. A declaração não significa que Dorinha tenha afirmado diretamente que Wanderlei não trata a saúde com seriedade. Entretanto, a escolha das palavras abre espaço para essa interpretação. Afinal, se a saúde já é tratada de forma séria e comprometida atualmente, por que prometer que isso acontecerá em seu governo? E se Dorinha entende que será necessário mudar a condução da saúde, então surge outra pergunta: onde termina a continuidade de Wanderlei e onde começa a mudança proposta por ela? “A caneta é minha” Outro trecho que chama atenção é a afirmação de que “a caneta é minha, minha responsabilidade”. A frase demonstra que Dorinha pretende deixar claro ao eleitor que, caso seja eleita, terá autonomia para tomar as decisões e responder pelos resultados de sua administração. Mas também reforça a separação entre sua candidatura e a atual gestão. Dorinha recebe o apoio de Wanderlei Barbosa e fala em continuidade, mas, quando confrontada sobre um dos setores mais sensíveis do governo, afirma que não representa o governador. Essa estratégia pode gerar questionamentos para os dois lados. Para Wanderlei, porque a fala pode ser interpretada como uma crítica indireta à condução da saúde. Para Dorinha, porque ela terá de explicar ao eleitor como pretende ser, ao mesmo tempo, a candidata da continuidade e a candidata da mudança em uma área tão importante. Será que o eleitor está sendo enganado? A pergunta do título não significa afirmar que Dorinha esteja deliberadamente tentando enganar o eleitor. Trata-se justamente do questionamento que surge diante da aparente diferença entre suas declarações. Uma hora, continuidade. Outra hora, distanciamento. Se a proposta é continuar o governo Wanderlei, o eleitor tem o direito de saber o que será mantido. Se a proposta é mudar a forma como determinadas áreas são administradas, também é preciso explicar claramente o que está errado hoje e o que será diferente em uma eventual gestão Dorinha. A saúde pode acabar se tornando um dos principais pontos de cobrança durante a campanha. E a questão central permanece: Dorinha será a candidata da continuidade de Wanderlei Barbosa ou pretende apresentar ao eleitor uma nova forma de governar, especialmente na saúde? A resposta poderá definir até onde vai a aliança política entre os dois e, principalmente, qual mensagem a candidata pretende levar ao eleitor tocantinense.



